
Hoje, dentro de mim, está nublado. Não sinta pena de mim por isso, eu mesma não sinto. Se lá fora nem todos os dias são de sol, aqui dentro não seria diferente. A única diferença é que não há, em mim, meteorologia que consiga prever quando a chuva vai cair destruindo algumas áreas por aqui. Ainda sim, não acho ruim esses dias, já que são dias de reflexões e transformações. A impermanência me faz acreditar em dias de sol e aceitar os demais dias, pois esta me ensina que nada dura para sempre, nem mesmo os dias nublados e chuvosos que visitam meu ser.
eu sempre penso como eu queria que as coisas estivessem sido diferentes. eu queria não ter cometido aquele erro. eu queria não ter acordado no meio da noite com um aperto no peito. eu queria ter estudado mais matemática na escola. eu queria poder ir até à lua e continuar a sonhar. eu queria que minhas asas imaginárias me fizessem voar. eu queria que as coisas fossem mais leves e que eu nunca tivesse me arrependido de amar. eu queria que muitas coisas diferissem, mas eu queria mesmo, com todo meu coração, do fundo do peito, era aprender a não querer voltar.
bianca autran
incontrolavel-deactivated202104:
Gostaria de descrever em apenas uma palavra tudo que tenho sentido. Mas nem “confusão” tem bastado como definição. Milhares de pensamentos e sentimentos passam pela minha cabeça a cada instante, algo que eu nunca consigo controlar.
incontrolavel-deactivated202104:
Me encontro parada, encarando o céu através da janela do meu quarto.
Consigo ouvir o canto de diferentes pássaros, enquanto os observo pousar em alguma árvore próxima. Sinto alguns raios solares aquecendo a minha pele, enquanto uma leve brisa balança meus cabelos. Nos instantes seguintes, aquele céu que era de um azul límpido, com um sol brilhante, se torna intensamente escuro. Nuvens carregadas se concentram no campo da minha visão. Os pássaros pararam de cantar. Aquela leveza bela que me cercava, cessou. Consigo sentir aquele cheirinho intrínseco que só a chuva tem. Vejo os pingos grossos da chuva descendo dos céus. Tudo se tornou escuro, pesado. Só consigo ouvir o barulho da tempestade.
Sei que a tempestade vai passar, que tudo vai se tornar leve e belo novamente, mas não consigo deixar de sentir a tempestade. Não consigo sentir novamente aquela sensação boa do céu iluminado. Eu poderia falar somente do clima, mas assim tem sido a minha vida: uma mistura de céus limpos e chuvas impiedosas.
incontrolavel-deactivated202104:
Eu não estou bem - e faz muito tempo. Não sei se já estive bem de verdade algum dia, mas sou boa em fingir. Prefiro ignorar toda essa dor do que tentar falar sobre ela (uma coisa tão inexplicável).
me sinto exausta. exausta. exausta. e a exaustão é um estado tão subjetivo, abstrato e figurado quanto literal, físico e concreto, e me assusta essa completude. porque é assim que a exaustão é: completa. quando chega não deixa nada passar, nem os pensamentos. nem a alma. meus ossos estão pesados e minha cabeça dói. dói muito, até meus olhos. porque a exaustão preenche e incha a gente, feito ração quando cai na água. me sinto carregando sacos de cimento no lugar dos músculos e eu nem me lembro direito quando comecei a me sentir tão pesada. só sei que me sinto assim nos últimos dias. cansada. cansada mesmo, sabe? de verdade. cansada de me sentir triste, confusa, angustiada, perdida. cansada de não saber o que fazer. de ser impotente. cansada de dar o meu melhor ao universo e só receber bomba. a gente diz que faz o bem sem esperar nada em troca, mas no mínimo espera que o universo nos ignore. mas talvez ser ignorado pelo universo seja exatamente o problema. tenho elevado meus braços aos céus e implorado por um pouco de paz, porque já não aguento nadar e morrer na praia. não aguento mais ser chutada e apanhar e ainda ser forte. porque meu corpo inteiro dói. cada centímetro dele. de mim. e eu não durmo direito. não como direito. não existo direito. porque estar cansada também cansa. e eu não consigo sair desse estado de exaustão, porque o universo parece querer pressionar cada um dos meus nervos. me empurrar até o meu limite. me bater até que meu corpo seja só mais um hematoma existindo. e eu não sei. não sei. não sei sair disso. a gente tenta ser o melhor, mas não importa, porque a lei triplice não te tira do fundo. e o universo tá pouco ligando se você tenta alimentar só o seu lobo bom. se você não alimenta o seu lobo mau, será que um dia ele come o bom? ou será que ele morre de fome? me sinto cansada de existir em um lugar esquecido. me sinto exausta de ser esquecida. porque não te verem é exatamente o problema. de onde eu falo a gente nasce no lado escuro da lua, onde sobreviver é um pedido e um incômodo, mas sempre resistência. e resistir cansa. cansa muito. existe uma guerra dentro e fora de mim. parece que tento preservar minha existência em um mar aberto e revoltado, mas eu tenho medo de mar aberto e não sei nadar. e tentar cansa.
“Que eu tenha maturidade suficiente para entender que um dia me fez bem, mas agora não faz mais.”— Pedro Pinheiro.